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Pra começar a semana com a poesia do cantador, repentista Raimundo Caetano

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Me acomete a memória dos meus pais
Que parecem falar aos meus ouvidos
Minha vida caminha em dois sentidos
Uma parte pra frente, outra pra trás
Ao me ver estou ouvindo os madrigais
Sobre o colo materno amamentado
Não consigo dormir, sonho acordado
Afastando os lençóis da nostalgia
Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que fui criado.


Fisicamente eu não vou, mas na lembrança
Eu não deixo que as cenas se desmontem
Sempre parto do hoje atrás do ontem
Que escondeu meus brinquedos de criança
Me imagino na mesma vizinhança
Muitos antes de tudo ter mudado
Remexendo as entranhas do passado
Remontando o lugar onde eu vivia
Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que fui criado.


A saudade me obriga, eu obedeço
E retornar ao passado é bom pra mim
Mesmo eu fico mais longe do meu fim.
Toda vida que volto ao meu começo
Quando fico distante eu adoeço
E sinto meu coração despedaçado
Só deixei meu lugar por ser forçado
Que por pura vontade eu não saía
Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que fui criado.


O terreiro coberto pelo mato
As paredes forradas pelo lodo
Ao ver essa imagem eu tremo todo
Como quem sente a mão do abstrato
Ver meus pais bem juntinhos num retrato
Que ainda com vida foi tirado
Dividindo o silêncio lado a lado
Um ao outro fazendo companhia
Vou no trem da saudade todo dia
Visitar o lugar que fui criado.

Raimundo Caetano

Do Blog Josa Rabelo

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O Donzelo Azarado

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