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Cantoria Virtual

Peleja dos cordelistas Pedro Paulino
e Léo Medeiros

A cantoria de viola no Nordeste há muito tempo migrou do alpendre da fazenda e das feiras populares das pequenas cidades para os grandes teatros, o rádio e a televisão. Essa transformação inclusive motivou livros e diversos artigos na imprensa. Mas isto já faz parte do passado, pois agora os desafios em versos, mesmo sem a companhia da viola, acontecem pela internet. Por exemplo, ontem, tudo começou com um simples bate-papo no Facebook. Na minha página, embaixo de uma postagem que fiz em homenagem póstuma pelo aniversário de meu pai, Pedro Paulino Ferreira, o poeta Wanderley Pereira escreveu:

WP – Parabéns, Pedro Ferreira,
Onde você estiver.
Com certeza está no Céu,
Com um prato e uma colher,
Comendo cuscuz com leite,
Que não há quem não aceite,
Até Deus, provando, quer!"

Em seguida, Paulino disse:

PP – Pois com um cardápio desse,
Próprio do meu Ceará,
(Ainda mais se tiver
A pamonha e o mugunzá),
Prometo a todos vocês:
Quando chegar minha vez
Eu também quero ir pra lá.

O poeta Leo Medeiros, de Currais Novos (RN) e morando atualmente em Natal, estava online na ocasião e tocou pra frente o desafio:

LM – Tomara que tenha lá
canjica, angú e xerém
batata doce, paçoca
a qualhada que faz bem
se lá no céu for assim
Deus não esqueça de mim
ao morrer quero ir também.

PP – Se é que lá no céu tem
Carne assada com farinha,
Feijão verde com maxixe,
Sem faltar “amarelinha”,
E São Pedro, meu xará,
Me permitir, vou pra lá,
Eis toda vontade minha.

LM – Poeta eu acho que tem
Naquele canto celeste
além de muita comida
cantadores do Nordeste
a sanfona de Luiz
tocando um baião feliz
oh coisa boa da peste.

PP – Se tem coisa deste agreste
Gostosa como aqui tem,
Cantiga do Gonzagão
Como “Penêra o xerém”,
Xote, baião e xaxado,
Por tudo quanto é sagrado
Eu quero ir pra lá também.

LM – Querio ir porque eu sei
que por lá tem menestréis
Patativa, Louro e Pinto
fazendo versos fiés
e na entrada um cordão
com o folheto do Pavão
e outros muitos cordéis.

PP – Eu não chego nem aos pés
Desses cantores, bem sei,
Porém me sinto à vontade
Com versos que fabriquei
Junto com meus companheiros,
Que são eles: Leo Medeiros
E o amigo Wanderley.

LM – Pedro Paulino é um rei
na terra de Canindé
Wanderley é outro vate
que faz seu verso com fé
quando meu Deus pai chamar
quero por lá encontrar
Patativa do Assaré.

PP – Pois eu espero que até
Terminar cá os meus dias,
Eu goze a benevolência
De versos e poesias,
E quando no céu chegar
Vou novamente encontrar
Repentes e cantorias.

LM – Quando findar os meus dias
aqui em cima do chão
Deus me mande se quiser
pra sua bela mansão
e quando eu lá chegar
eu também quero encontrar
o meu povo do sertão.

PP – Responda: cadê, irmão,
Wanderley, o cantador
Que provocou esta luta
Com tanta garra e calor,
Depois saiu de fininho
Deixando a dupla sozinho?
Sendo os três tem mais valor!

LM – Poeta em noventa e cinco
do outro século passado
trabalhei em Canindé
e ainda estou lembrado
que eu fui na vila dançar
um forró no seu lugar
voltei pra casa melado.

PP – São Roque estava a seu lado,
Nesta terra dos Paulino.
E você dançou, que o couro
Do solado ficou fino.
Vem gente de Fortaleza
Dançar aqui, que beleza!
Ao som do Chico Justino.

LM – Era um sanfoneiro fino
tocando o acordeon
marcava o fim de outubro
mas eita que tempo bom
e naquela madrugada
a música que foi tocada
foi: forom fonfom fonfom.

PP – É reconhecido o tom
Da sanfona do Justino,
Que chegou aqui nos Campos
Quando ainda era menino.
Esse grande sanfoneiro
Foi trazido do Pesqueiro
Pelo Nélis Secundino.

WP – Pedro Paulo e Leo Medeiros
Fazem versos de touceira.
São dois garrotes bravios
Brigando na capoeira,
Para o trio completar
Vai à dupla se juntar
José Wanderley Pereira.

LM – Pra esse eu faço carreira
porque meu verso é rasteiro
só sei cantar a campina
o sertão e tabuleiro
já os seus são bem polidos
e com certeza são lidos
por esse Brasil inteiro.

PP – Que Leo Medeiro prossiga
Esta nossa brincadeira,
Para findar esta noite
Tão calada e domingueira.
Estou bastante contente
Cantando principalmente
Com o Wanderley Pereira.

LM - Poeta aqui ninguém briga
porque tudo é alegria
o verso brota no céu
o céu despeja poesia
D. Graça chega agora
dizendo que está na hora
de cantar na cantoria.

PP – Diga-lhe que a nostalgia
Penetra meu coração,
Da Graça e do Wanderley
Ausentes deste sertão.
Em breve, pretendo vê-los
E, pra melhor recebê-los,
Tenho agora um varandão.

LM – Deixo um aperto de mão
mais um abraço apertado
pro poeta wanderley
e Pedro que é afamado
vou deixar a cantoria
mas eu volto qualquer dia
a todos muito obrigado.

PP – E assim foi encerrada
A peleja virtual
De Wanderley, Leo e Pedro,
De maneira especial:
Wanderley em Fortaleza,
Eu na Vila, com certeza,
E o Leo lá em Natal.

Fonte: http://vilacamposonline.blogspot.com/2012/01/cantoria-virtual.html?spref=fb
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O Donzelo Azarado

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